Ikigai: como usar as quatro perguntas com consciência
Você provavelmente já viu o desenho. Quatro círculos que se cruzam: o que você ama, no que você é bom, pelo que pode ser pago, o que o mundo precisa. No ponto onde os quatro se encontram, uma palavra japonesa — ikigai.
Ele circula há mais de dez anos em slide de treinamento, em aula de carreira, em post de rede social. Quase sempre com a mesma legenda: um segredo milenar japonês.
O desenho tem autor, tem data e foi montado no Ocidente. Isso não o desqualifica — nesse contexto, muda o que ele é, e com isso muda a forma de preencher.
O que a palavra diz em japonês
Iki é viver. Gai é aquilo que tem valor, o que faz a coisa valer a pena. Juntas, formam algo que costuma ser traduzido como razão de viver — ou, na forma mais concreta que os próprios japoneses usam, aquilo que faz você levantar da cama de manhã.
A referência do tema no Japão é um livro de 1966, Ikigai ni tsuite, de Mieko Kamiya. Ela chegou ao conceito trabalhando durante anos num sanatório de hanseníase, e o que encontrou ali foi isto: entre pacientes com sintomas parecidos, o que separava quem seguia adiante de quem adoecia por dentro era ter ou não ter algo que fizesse o dia valer. O sofrimento maior vinha da sensação de que a vida não tinha peso, antes de vir da doença.
O ikigai que ela descreve é a força de atravessar um presente difícil por causa de algo que está adiante. Pode ser enorme. Pode ser pequeníssimo. Ken Mogi, ao investigar como o conceito é vivido hoje no Japão, observa que as pessoas se apoiam nos pequenos rituais do cotidiano muito mais do que em grandes construções de sentido. Quando pesquisadores perguntaram a idosos de Ogimi — a vila de Okinawa com uma das maiores concentrações de centenários do mundo — qual era o ikigai deles, as respostas foram os amigos, a horta, a pesca, a arte, o neto que vem no domingo.
Nesse particular, duas consequências ficam de fora do desenho: o ikigai não precisa pagar suas contas e o ikigai não precisa ser grande.
O diagrama tem endereço
Em 2011, Andrés Zuzunaga publicou um diagrama de quatro círculos sobre propósito. As quatro perguntas já eram exatamente essas, e a palavra no centro era propósito. Ele apareceu impresso pela primeira vez em 2012, num livro de Borja Vilaseca.
Em 2014, Marc Winn escreveu um post curto no próprio blog. Ele tinha assistido a uma palestra de Dan Buettner sobre as regiões do mundo onde as pessoas passam dos cem anos — e Buettner falava de Okinawa e da palavra ikigai. Winn pegou o diagrama de Zuzunaga e trocou a palavra do centro: onde estava propósito, escreveu ikigai.
O post viralizou. Anos depois, ele mesmo resumiu o que tinha acontecido: trocou uma palavra num desenho, e o mundo adotou.
Falo sobre isso no vídeo que deu origem a este artigo, se você quiser me ouvir a partir de 05:52.
Vale dizer uma coisa sobre o livro que popularizou o tema em português — Ikigai: os segredos dos japoneses para uma vida longa e feliz, de Héctor García e Francesc Miralles. Os quatro círculos não são o foco dele. Quem chega ao livro esperando o desenho e o passo a passo de preenchimento encontra outra coisa: a regra dos oitenta por cento à mesa (hara hachi bu, parar de comer antes de se sentir satisfeito), a variedade da alimentação de Okinawa, o movimento constante e sem esforço ao longo do dia, e os moai — os grupos de vizinhança que acompanham a mesma pessoa por décadas, dividindo dinheiro, trabalho e companhia.
O fio que costura tudo isso é a longevidade — e convém dizer o que a palavra significa ali. Durar muito e chegar lá inteiro: com pernas que sobem a ladeira, com gente por perto, com algo marcado para a semana que vem.
O que isso muda na hora de preencher
Lida por essa perspectiva, a correção histórica deixa de ser curiosidade e vira instrução de uso.
O círculo "pelo que você pode ser pago" é o acréscimo ocidental. No conceito japonês, ele não existe. Aquilo que faz uma pessoa levantar da cama numa terça-feira comum nunca precisou ser também a fonte de renda dela. Foi o diagrama, montado num contexto de conversa sobre carreira e propósito profissional, que juntou as duas coisas.
Desse modo, cai uma cobrança específica e bastante comum: a de que a resposta encontrada no exercício tenha de sustentar você financeiramente para valer. Não tem. Você pode preencher os quatro círculos sabendo que um deles pesa diferente dos outros — e decidir, com os olhos abertos, quanto peso quer dar a ele neste momento da sua vida.
A segunda coisa que muda é a autoridade do desenho. Uma herança milenar se obedece. Um instrumento de reflexão com doze anos de idade e autor conhecido se usa, se ajusta e se abandona quando não servir mais. Se uma das perguntas não render nada em você, ela pode ficar em branco por enquanto. Se o cruzamento não fechar, o exercício não fracassou.
O que o diagrama faz bem é uma coisa específica, e é por isso que ele sobrevive à própria história mal contada: ele coloca quatro perguntas lado a lado que quase ninguém se faz no mesmo dia. Você provavelmente já pensou no que gosta de fazer. Já pensou em como ganhar dinheiro. É raro pensar nas duas coisas na mesma folha de papel, junto com o que você faz bem e com o que você acha que falta no mundo. O cruzamento é que produz alguma coisa nova.
Como montar o exercício
São quatro listas, uma por pergunta, e nenhuma delas fecha no mesmo dia. O que costuma render mais é deixar cada uma com espaço para crescer ao longo de alguns dias — o item que faltava tende a aparecer depois, quando você já não está tentando lembrar dele.
Duas orientações valem para as quatro:
Escreva antes de avaliar. A tentação é filtrar cada item pela pergunta "isso serve para alguma coisa?" antes de ele chegar ao papel. Quanto maior a lista, mais material para cruzar depois — e o item que parece bobo é justamente o que costuma combinar de um jeito inesperado com outro.
Repare no que acontece enquanto você escreve. Alguns itens saem sozinhos. Outros pesam, ou vêm com um incômodo, ou você percebe que está com vontade de não escrever aquilo. Essa informação vale tanto quanto a lista. O exercício rende pouco quando vira uma atividade fria e puramente racional, com a vivência interna deixada de fora.
As quatro perguntas, uma a uma
No vídeo eu preencho as quatro ao vivo, com os meus exemplos, a partir de 06:50. Os exemplos que aparecem aqui são os meus, e servem de calibre para o tipo de resposta que conta neste exercício.
Primeira pergunta — o que você ama
O que ela está perguntando. O que te deixa verdadeiramente animado. Sem recorte profissional, sem exigência de grandeza, sem precisar que aquilo tenha alguma utilidade. Animais de estimação, comidas, filmes, tipos de conversa, hobbies, curiosidades, interesses.
O que conta como resposta. Tudo que te faz sentir bem, incluindo o que parece estranho demais para entrar numa lista dessas. Principalmente isso. Na minha lista aparecem: ouvir histórias de vida; viajar e conhecer pessoas, culturas e sabores diferentes; escutar música enquanto caminho; caminhar na natureza; pensar e refletir; trabalhar com ideias, criar; tocar violão, guitarra, cantar; analisar projetos e ideias; dinâmicas de teatro. Tem também um item que eu não sei nomear direito — gosto de arte que fica no limite do inteligível — e ele entrou assim mesmo, com um asterisco do lado. Item que você não consegue explicar não precisa esperar a explicação para entrar na lista.
Onde costuma travar. Escrever a versão apresentável de si. A lista sai curta e nobre — ler, aprender coisas novas, estar com a família — porque cada item passou por uma censura antes de chegar ao papel. É uma lista verdadeira e incompleta. O material bom está no que ficou de fora por parecer pequeno ou pouco sério.
Se a lista não sai. Volte para a infância. Que atividades você gostava de fazer quando ninguém tinha ainda te explicado quais delas levavam a algum lugar? Aquilo que você fazia até a mãe chamar para jantar é uma boa pista, mesmo que hoje o formato seja outro.
Segunda pergunta — no que você é bom
O que ela está perguntando. O repertório que você foi acumulando desde que nasceu: talentos, habilidades, dons, conhecimentos. Um inventário no sentido literal — o que existe no estoque, com o julgamento de valor deixado de fora.
O que conta como resposta. Habilidade não exige campeonato. Você não precisa ser o melhor chef de cozinha do mundo para anotar que faz uma excelente pizza caseira — isso já conta, e na minha lista foi o primeiro item. Depois vieram: tocar violão e outros instrumentos, editar vídeo, compor música, fazer acupuntura, oferecer escuta terapêutica, a formação como psicólogo, ensinar, escutar as pessoas. Inclua as habilidades mais excêntricas ou difíceis de classificar.
Onde costuma travar. Duas coisas. A primeira é confundir a lista com um currículo, e aí só entra o que tem diploma ou comprovação. A segunda é mais silenciosa: você descarta aquilo que faz sem esforço, porque como não custa nada, não parece habilidade — parece que todo mundo faz. Quase sempre é o contrário. O que sai fácil em você costuma ser exatamente onde está a sua vantagem.
Se a lista não sai. Pergunte a quem convive com você. As pessoas próximas enxergam habilidades suas que você nunca contou como habilidade, porque elas veem o efeito de fora — e a resposta delas costuma vir com uma naturalidade que surpreende quem perguntou.
Terceira pergunta — pelo que você pode ser pago
O que ela está perguntando. Que combinações das duas listas anteriores têm lugar no mundo do trabalho. É uma pergunta de combinação: o que as suas habilidades produzem quando encontram o que você ama.
O que conta como resposta. Aqui você para de listar do zero e passa a cruzar. Se eu sei tocar violão e tenho alguma habilidade de ensino, aparecem aulas de música — trabalhei com isso durante muitos anos. Se gosto de ouvir histórias de vida, tenho habilidade de escuta e formação para isso, aparece o trabalho de escuta terapêutica, que é a minha atuação atual.
E aparecem também as combinações que ainda não existem. Será que dá para unir o gosto por viajar e conhecer culturas diferentes com a habilidade em audiovisual, e produzir conteúdo de viagem? Eu adoraria fazer isso. Será que escutar música enquanto caminho pode virar algum tipo de método de ensino? Não sei, nunca pensei sobre isso, mas poderia ser um caminho. Resposta em forma de hipótese não testada é resposta legítima nesta lista.
Onde costuma travar. Duas formas. Escrever o emprego atual e encerrar ali — a pergunta vira uma descrição do presente e devolve o que você já sabia. Ou censurar cada item pela viabilidade antes de anotar: isso não daria dinheiro, isso ninguém pagaria. A avaliação de viabilidade tem a sua hora, e ela vem depois. Existe uma quantidade de ocupações hoje que não estava no mapa há dez anos.
Se a lista não sai. Combine deliberadamente duas coisas que nunca estiveram juntas nas suas listas anteriores, mesmo que a combinação pareça absurda, e veja o que aparece. E lembre do que a origem do diagrama já disse: esta é a pergunta acrescentada. Ela pode ser a menor das quatro listas sem que isso comprometa o exercício.
Quarta pergunta — o que o mundo precisa e você pode oferecer
O que ela está perguntando. A sua leitura do que falta. O que você acha, não a resposta socialmente aceita, não o que você ouviu por aí.
O que conta como resposta. Os dois registros valem, e cada pessoa tende naturalmente para um deles. Existe o registro amplo: eu acho que o mundo precisa de mais escuta, porque as pessoas estão mais preocupadas em falar; de mais conhecimento sobre como nós funcionamos por dentro, sobre como são as nossas emoções; de mais empatia; de sustentabilidade, que talvez seja o principal; de menos decisão tomada pensando só em si; de mais contato com a natureza. E existe o registro objetivo, restrito ao seu campo: professores precisam de mais ferramentas tecnológicas auxiliando o trabalho deles; músicos precisam de mais segurança para investir alto em instrumentos. Uma resposta bem específica de dentro da sua área vale tanto quanto uma resposta filosófica.
Onde costuma travar. Responder o que soa nobre. Esta é a pergunta que mais atrai a frase de discurso — aquela que a gente escreveria se alguém fosse ler por cima do ombro. Ela devolve pouco, porque não é sua. O outro travamento é achar que a resposta precisa ser grandiosa, e por isso não escrever a única coisa que você realmente pensa, que é sobre a sua rua ou sobre o seu ofício.
Se a lista não sai. Comece pelo incômodo concreto. O que falta no lugar onde você trabalha, que só quem trabalha ali enxerga? Que problema você resolve na raça todo mês porque ninguém ainda resolveu direito? Reclamação repetida costuma ser um bom rascunho desta pergunta.
Como cruzar as listas sem exigir a interseção perfeita
Com as quatro listas na mesa, o exercício do centro é olhar o conjunto e procurar qual atividade reuniria os quatro elementos.
Vale desarmar uma expectativa aqui. O desenho sugere que existe um ponto onde os quatro círculos se sobrepõem perfeitamente, e que encontrá-lo é a tarefa. Na prática, essa exigência trava mais gente do que ajuda: quem não encontra a interseção perfeita conclui que fez o exercício errado, ou que tem algo errado consigo.
Uma forma mais produtiva de olhar é pelos pares e pelos trios. Onde duas listas se encontram, já existe informação. Onde três se encontram e a quarta não aparece, existe uma informação ainda mais precisa — e ela costuma explicar experiências que você já teve.
Duas dessas experiências são bastante comuns, e nenhuma delas é erro de quem passa por ela:
Você ama aquilo, faz bem, e ninguém estava procurando. Acontece muito na arte. Eu faço uma música, considero boa, espero um resultado a partir da minha percepção do que seja bom — e talvez eu não esteja oferecendo nada que os outros querem. Frustra. E é a constatação de um fenômeno que pode estar acontecendo, com nada de errado em nenhuma das pontas.
Você sabe exatamente o que o mundo pede, entrega com competência, é bem remunerado e se sente vazio. Também acontece muito, e também não é defeito de caráter.
As duas dizem algo sobre o arranjo entre os quatro campos. É para isso que olhar o mapa serve: para ver o arranjo em que você está agora.
A decisão que vem depois é sua, e ela tem pelo menos duas saídas legítimas: transformar aquilo num caminho de trabalho, ou manter aquilo como uma atividade que você faz fora do trabalho, sem exigir que sustente nada. Pensar se a ideia é viável financeiramente ou se ela fica melhor onde está é parte do exercício, e ninguém responde isso por você.
A frase que consolida
Quando alguma coisa começa a se desenhar, uma forma de consolidar é fechar numa frase com esta estrutura:
eu ajudo [determinado grupo] a [determinada transformação] através de [determinada atividade]
No meu caso, ficaria assim: eu ajudo pessoas a se entenderem melhor através da escuta terapêutica. E a frase pode ficar mais específica, o que costuma dar mais clareza: eu ajudo pessoas em quadros de ansiedade a entenderem e lidarem melhor com essa condição através da escuta terapêutica.
Outros dois exemplos, do mesmo exercício: eu ajudo escolas a distribuir conhecimento com mais qualidade através da produção de vídeos. Ou: eu ajudo terapeutas a integrarem tecnologia e ferramentas terapêuticas na sua atuação através do âmago.
Fica uma ressalva importante, e ela responde à objeção que quase todo mundo faz nesta hora. Especificar a frase não limita a sua atuação. Eu não ofereço escuta terapêutica somente para pessoas em quadros de ansiedade. A frase diz de que maneira aquilo que você faz pode servir a alguém em particular — e é isso que torna possível comunicar o que você faz para quem está do outro lado. Você me ouve trabalhando essa parte no vídeo a partir de 16:50.
Cuidados de uso
Estes cuidados são a diferença entre um exercício que rende e uma folha preenchida que fica na gaveta.
Isso não se resolve em quinze minutos. Preencher a folha e sair de lá com a vida resolvida não é como as coisas funcionam. Isso pede elaboração — o ato de trabalhar as ideias — e pede tempo. É possível que você nunca tenha parado para pensar no que o mundo precisa. Uma pergunta dessas não devolve resposta no primeiro dia.
Deixe a questão em aberto. Preencha e vá viver alguns dias com aquilo. Você não precisa decidir nada de imediato, e a pressa aqui costuma produzir uma resposta de fachada. Volte à folha durante a semana; os itens que faltavam chegam sozinhos, no ônibus, no banho, no meio de outra conversa.
Comece pequeno. A força de vontade e a energia disponíveis para mudança são um recurso limitado. Quem tenta mudar tudo de uma vez chega cansado e desgastado ao terceiro dia e desiste. Escolha as suas batalhas e vá integrando as mudanças aos poucos. Como eu digo no vídeo: a gente precisa aprender a descansar, não a desistir.
Para entrar algo novo, alguma coisa sai antes. É uma ideia frequente na filosofia oriental: o copo cheio não recebe. Vale para a agenda, e vale para o resto. Se a folha aponta uma direção nova e a sua semana já está lotada, a direção nova não tem onde acontecer.
O seu ikigai muda com o tempo. Estamos sempre em transformação, e o que faz sentido agora pode não fazer daqui a alguns anos. Existe uma variedade enorme de caminhos possíveis, e vários deles são capazes de fazer sentido para você e de oferecer algum grau de alegria e de completude — sempre parcial, porque completude inteira não existe em lugar nenhum. Se em algum momento você quiser trocar de caminho, está tudo bem. O caminho anterior não foi desperdício: a vida raramente é uma linha reta, tem voltas, retornos, trechos que vão para o lado oposto e depois se mostram necessários.
Harmonia não é estar bem o tempo todo. Existe uma expectativa embutida nesse tipo de exercício: a de que, encontrado o ponto certo, a vida passa a fluir. O movimento é próprio da vida. Todo mundo tem dias ruins, inclusive amando o próprio trabalho e fazendo exatamente aquilo que escolheu. Equilíbrio é perceber como está o movimento agora e o que pode trazê-lo de volta na direção do centro. Por isso continua fazendo falta ter atividades livres, que te dão energia e te relaxam, mesmo depois de encontrar o que procurava.
Tenha alegria nas pequenas coisas. Condicionar a própria alegria apenas às grandes realizações sai caro, porque as grandes realizações são poucas e demoradas, e os dias são todos os outros.
Leve a experiência, não só o resultado. Se você faz terapia, o que rende na sessão é menos a folha preenchida e mais o que aconteceu enquanto você preenchia: o que você pensou, o que sentiu ao escrever determinada coisa, o item que você quase não escreveu. É ali que aparece o material que uma lista sozinha não mostra.
Por que você levantou hoje
O que fecha o círculo é isto: a parte mais útil dessa história é, desde o começo, a parte japonesa. A palavra ikigai nunca prometeu um encontro entre o que você ama e a sua renda. Ela nomeia o que faz uma pessoa levantar da cama numa terça-feira comum — e para muita gente, em Ogimi e fora dela, isso é a horta, o violão, o amigo que vem tomar café.
O diagrama é uma boa ferramenta para olhar o arranjo da sua vida neste momento. A pergunta que ele carrega é mais antiga e mais simples que ele.
Estas quatro perguntas costumam render mais quando alguém conduz. Sozinha, a lista tende a virar inventário; conduzida, ela vira leitura — e o que aparece no meio do caminho, o item que quase não foi escrito, o incômodo que veio junto, passa a ser material em vez de ruído.
No vídeo que deu origem a este artigo eu preencho as quatro listas com os meus próprios exemplos, em voz alta — é o mais perto da condução que um material gravado chega.
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Referências
- Bauth, Rafael. O que fazer da vida: o ikigai como ferramenta terapêutica — vídeo que deu origem a este artigo.
- Kamiya, Mieko. Ikigai ni tsuite (生きがいについて), 1966 — referência do tema no Japão.
- García, Héctor; Miralles, Francesc. Ikigai: os segredos dos japoneses para uma vida longa e feliz, 2016.
- Kemp, Nicholas. Ikigai Misunderstood and the Origin of the Ikigai Venn Diagram — reconstituição da origem do diagrama.
- Winn, Marc. What is your ikigai?, 2014 — o post que juntou o diagrama de Andrés Zuzunaga (2011) ao conceito japonês.
